terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Hidrologia: Ciclo da água, HAMEH,I. (2009)

HAMEH,Ioná. Ciclo da água. Hidrologia e gestão de recursos    hídricos. InstitutoFederal de Pernambuco,2009

Ciclo da Água**

Hidrologia é a ciência que trata da água na Terra, sua ocorrência, circulação e distribuição, suas propriedades físicas e químicas e reações com o meio ambiente, incluindo suas relações com a vida. (Definição recomendada pela Unites States Federal Council of Sciencie and Tecnology, Comittee for Scientific Hidrology, 1962).

A água é parte integrante dos seres vivos e essencial à vida. Ela é um mineral presente no meio ambiente nos estados sólido, líquido e gasoso. Além da sua função natural de manutenção da vida, destina-se aos mais diversos fins, como abastecimento público e industrial, dessedentação de animais, geração de energia, transporte, lazer/recreação, irrigação, entre outros. Além disso, a água recebe, dilui e transporta esgotos domésticos, efluentes industriais e resíduos sólidos das atividades humanas. A água é um recurso finito que se renova a cada instante através dos processos físicos do ciclo hidrológico.

O ciclo da água inicia-se com a ação da energia solar evaporando as águas dos oceanos, rios, lagos e da superfície terrestre, formando as nuvens. A água precipita-se na forma de chuva, neve ou gelo que corre pela superfície, infiltra-se no subsolo, escoa sobre os corpos d´água superficiais, recarrega os aquíferos subterrâneos e é absorvida pelas plantas. Parte desta água que se precipita é novamente levada à atmosfera pela evaporação, onde se inicia todo o processo novamente.


Na ilustração acima, podemos observar que parte da precipitação não chega a  atingir o solo, devido à evaporação, durante a própria queda, ou porque é retida pela vegetação, perda a que se dá o nome de interceptação. Do volume que atinge o solo, parte infiltra-se, outra escoa pela superfície e uma parcela evapora-se diretamente ou através das plantas, fenômeno conhecido por transpiração.

A infiltração é o processo onde a água penetra no solo. Quando a precipitação excede a capacidade de infiltração do solo, ou seja, o solo se torna saturado, a água escoa na superfície. Inicialmente, as depressões do terreno são preenchidas, para que posteriormente se processe o escoamento superficial propriamente dito: a água procura os caminhos naturais para concentrar-se nos vales principais e, assim, formar os cursos dos rios, e posteriormente dirigir-se aos lagos, mares e oceanos. Neste percurso, a água pode sofrer evaporação ou infiltração, de acordo com as características do solo e da atmosfera por onde escoa, assim como a água retida nas depressões ou como umidade superficial do solo.

Durante todo o ciclo hidrológico, as interações entre o solo, a atmosfera e a água acontecem de forma intensa e incessante. A vegetação retira do solo a umidade necessária à sua sobrevivência e a elimina na atmosfera sob a forma de vapor. Por outro lado, a água se infiltra no solo, movimentando-se através dos espaços vazios entre os grãos e, eventualmente, atinge uma zona saturada, formando um lençol subterrâneo que poderá interceptar uma vertente, retornando à superfície para alimentar os rios, oceanos ou lençóis artesianos. Estes, por sua vez, sofrem evaporação e formam as nuvens, que, atingindo determinado volume, precipitam-se, e fazem com que a água volte a interagir com a atmosfera e o solo.

Vale ressaltar também alguns conceitos: lençóis artesianos -  que são reservas de água no subsolo os quais são confinados entre duas camadas impermeáveis. Com isso, torna-se de difícil acesso e menos passível à contaminação. Condensação é a passagem do estado gasoso da água (vapor) para o estado líquido. O ponto de congelamento da água é 0°C e o ponto de ebulição é 100°C e Região hidrográfica é aquele espaço territorial compreendido por uma bacia, grupo de bacias ou sub-bacias hidrográficas contíguas com características naturais, sociais e econômicas homogêneas ou similares, com vistas a orientar o planejamento e gerenciamento dos recursos hídricos. Sabemos que o ciclo hidrológico é fechado, isto é, ele inicia-se pela evaporação da água, seja na forma de vapor, de partículas líquidas (chuva) ou sólidas (gelo ou neve) e finaliza-se com a precipitação. Quando as partículas de água formadas por condensação do vapor atingem determinada dimensão, precipitam-se na forma de chuva. Se passarem por zonas de temperatura abaixo de 0°C, pode haver a formação de granizo e, quando a condensação ocorre sob temperaturas abaixo do ponto de congelamento (0°C), há formação de neve.
            


[Respeite as citações do texto]

**Texto retirado do livro : Gestão de recursos hídricos, do Instituto Federal de Pernambuco – IFPE, da Professora Ioná Maria Beltrão Hameh Barbosa (2009).

Referencias:

BARTH, F. T.; BARBOSA, W. E. S. Recursos Hídricos. Texto não publicado.
1999. 46 p.

BRASIL, Agência Nacional de Águas (ANA). Disponibilidade e demandas
de recursos hídricos no Brasil. Cadernos de Recursos Hídricos. Brasília: Agência Nacional de Águas, 2005a. 134 p.

BRASIL, Agência Nacional de Águas (ANA). Panorama da qualidade das águas subterrâneas no Brasil. Cadernos de Recursos Hídricos. Brasília: Agência Nacional de Águas, 2005b. 80 p.

BRASIL. Agência Nacional de Águas (ANA). A Evolução da gestão dos recursos hídricos no Brasil = The evolution of water resources management in Brazil. Brasília: Agência Nacional de Águas, 2002. 64 p. (Edição comemorativa do Dia Mundial da Água).

PORTO, R. L. L.; FILHO, K. Z.; SILVA, R. M. Bacias hidrográficas. Texto da disciplina Hidrologia Aplicada. Escola Politécnica de São Paulo. Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária. 1999. 35 p.

PORTO, R. L. L.; FILHO, K. Z. Introdução à Hidrologia- ciclo hidrológico e balanço hídrico. Texto da disciplina Hidrologia Aplicada. Escola Politécnica de São Paulo. Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária. 1999. 35 p.

SETTI, A. A.; LIMA, J. E. F. W; CHAVES, A. G. M.; PEREIRA, I. C. Introdução ao gerenciamento dos recursos hídricos. 2ª. Ed. Brasília: Agência Nacional de Energia Elétrica, Superintendência de Estudos e Informações Hidrológicas, 2001. 207 p.

TUCCI, C. E. M. Hidrologia: ciência e aplicação. 2ª Ed. Porto Alegre: Edit. Universidade/ UFRGS: ABRH, 2001. 943p

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